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Até assistir “Her”, novo filme do Spike Jonze que está estreando nos cinemas de São Paulo, eu sempre me perguntava como que até hoje, a música Off You do Breeders jamais tinha sido utilizada numa trilha sonora.

E logo nos primeiros minutos de “Her”, a música surge. Sensível, delicada, melancólica. Tão melancólica como todo o decorrer do filme, que conta a história de Theodore (Joaquin Phoenix), um homem confuso e solitário, que enquanto tenta lidar com o divórcio, inicia um relacionamento Samantha (voz de Scarlett Johansson)  , seu novo sistema operacional de computador.

Ainda que a princípio, tal relação pareça improvável e até absurda, conforme vamos conhecendo mais da vida de Theodore, percebemos nele alguns traços que tornam não só o relacionamento factível, como também identificamos gigantescas similaridades com nossa sociedade atual. Desde o trabalho de Theodore, que é o de uma espécie de “escritor de cartas terceirizado”, e até em sua vida pessoal, vemos um homem conectado desde a hora em que acorda, até a hora de dormir, que prefere seu mundo digital, com jogos interativos , sexo virtual nas salas de bate-papo, do que encontros reais e reuniões com amigos.

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E quando ele tenta algo real, o encontro se torna um desastre, não por culpa dele, mas por conta da garota se mostrar extremamente carente e desesperada, o que também não deixa de ser uma situação mais que comum do nosso contemporâneo. Pessoas buscando o tempo todo o “conforto” de uma relação a dois, num mundo repleto de individualidades e de pessoas confusas, surgindo assim, a necessidade de “criar” o seu par, nos seus moldes, na forma com que você se sentirá mais à vontade, recebendo o prazer, ainda que seja como o gozo fálico de Lacan.

A tecnologia de ponta, que nos traz no filme os sistemas operacionais inteligentes, está cada vez mais próxima da nossa realidade.  Alguns cientistas consideram até mesmo que a raça humana será extinta pela inteligência artificial. Em “He”, temos uma pequena amostra disso. Pessoas cada vez mais conectadas, envolvendo-se com o virtual de uma forma completamente dependente, tendo suas horas, dias e meses sugados sem que se perceba o quanto do real posso estar sendo perdido ou desperdiçado. Uma imensa e crescente solidão, disfarçada de qualquer coisa.

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Ainda é cedo pra se ter uma noção maior do filme. Preciso assistir mais que uma vez para perceber coisas que passaram batido e até mesmo outras que podem até mesmo ir ao sentido contrário desse texto. Mas ainda assim, muitas das boas impressões vão ficar. A fotografia com suas cores high tech, o figurino, a fodástica atuação de Joaquin Phoenix (mais uma), e principalmente, a trilha sonora maravilhosa capaz de arrancar os mais honestos suspiros…

 

Trailler:

 

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