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Apesar de jamais ter sido uma guerra efetiva, nos moldes de tantas outras, com tanques, aviões, soldados e trincheiras, a Guerra Fria coleciona episódios de crise e violência, alguns amplamente divulgados, outros nem tanto. Não há como negar que muitos dos que viveram aquele período, mesmo sem fazer parte dos países envolvidos, sentiram de alguma forma a tensão envolvida no conflito e seus desdobramentos.

Para o mundo da cultura pop, e aí entenda-se quadrinhos, filmes, séries, foi quase que como uma espécie de “ápice da criatividade”, onde as mais diversas teorias mesclavam com acontecimentos reais, trazendo assim, ainda mais interesse pelo tema.

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Passaram-se os anos e vieram algumas grandes mudanças, como a dissolução da União Soviética, a queda do muro de Berlin, mas algumas coisas permaneceram, como o embargo estadunidense à Cuba. Para nossa sorte, permaneceu também o interesse da indústria de entretenimento em continuar abordando o assunto, ainda que numa escala muito menor se comparada ao período entre os anos e 90. E a mais nova preciosidade, é a série “The Americans”, sem qualquer sombra de dúvida.

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A série estreou na tv em 2013, e nos traz a história do casal Philip e  Elizabeth Jennings (Matthew Rhys e Keri Russell), uma aparentemente típica família do subúrbio americano, não fosse o fato de serem agentes a serviço do KGB, infiltrados como sendo naturais dos Estados Unidos a fim de não levantarem suspeitas sobre seus atos e reais objetivos. O tema “agentes infiltrados no período da Guerra Fria” não é novidade, basta lembrar o excelente “Sem Saída” de 1987, com Gene Hackman, Kevin Costner e Sean Young, assim como outros tantos filmes e outros produtos, mas a abordagem na série é muito mais profunda, justamente pelo tempo em que se tem para trabalhar cada personagem. Além da vida que levam como espiões, ainda precisam arcar com os cuidados com o casal de filhos, a relação com vizinhos (o mais novo, um agente do FBI), trabalho, e principalmente, com o cuidado para que as tentações materiais/consumistas/capitalistas da vida na América, não os faça perder o foco.

Ainda que com todas as inspirações no mundo do cinema, a ideia para a criação de The Americans veio mesmo em 2010, quando o FBI descobriu 10 espiões russos vivendo sob disfarce nos Estados Unidos, e o então funcionário da CIA, Joseph Weisberg, passou a desenvolver a série até que ela finalmente chegasse às telas de tv no ano passado.

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Por se passar nos anos 80, a série possuí dentre suas inúmeras qualidades, a de se trabalhar eventos reais com a ficção, envolvendo o casal Jennings (de forma direta ou indireta), em situações como a da tentativa de assassinato do ex-presidente Ronald Reagen ou do escândalo Irã-Contras, no qual o governo dos Estados Unidos montou uma operação clandestina e ilegal para ajudar a guerrilha anti-sandinista da Nicarágua, episódio que veio à tona em 1986.

Outra qualidade importante, é a indiscutível qualidade do elenco, tanto nos personagens principais, como também nos secundários. As transformações físicas e comportamentais de Phillip e de Elizabeth quando estão sob disfarce são a maior prova disso. Os cenários, figurino e a fotografia também não deixam nem um pouco a desejar, bastam 10 minutos do primeiro episódio para que você se ambiente com todo o clima da época, inclusive com a boa música oitentista , trazendo Echo & the Bunnimen, Fletwood Mac, Brya Ferry e outros.

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Assim, com tantas qualidades e com essa gama gigantesca de assuntos (história, política, espionagem, drama, ação), a série me pegou como poucas outras conseguiram. Acabei vendo as duas primeiras temporadas em poucos dias e já estou pra lá de ansioso pela terceira que deve estrear em janeiro de 2015. Enfim, é muito fácil se apaixonar por The Americans, ao final do primeiro episódio você já estará envolvido até os ossos e sedento pelo segundo episódio, mesmo vivendo hoje sob uma geopolítica bem diferente daquela em que o mundo vivenciou durante os longos e inspiradores anos da Guerra Fria.

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